Há pessoas que me dizem isto no consultório.
Os exames estão normais.
Não há nenhuma doença importante.
O médico diz que não há motivo para preocupação.
E, no entanto, quando lhes pergunto como se sentem, a resposta é outra:
"Não me sinto bem."
Dormem, mas acordam cansadas.
Têm dores que aparecem e desaparecem.
A digestão já não é a mesma.
Dormem pior.
Sentem-se mais ansiosas, irritáveis ou sem energia.
E, aos poucos, começam a habituar-se.
"É da idade."
"É do stress."
"Tenho de aprender a viver com isto."
Talvez.
Mas talvez valha a pena fazer outra pergunta:
E se o facto de não existir uma doença não significar que está tudo bem?
Um corpo não precisa de estar doente para nos dizer que alguma coisa mudou.
E uma pessoa não é apenas o resultado dos seus exames.
É a forma como dorme.
Como come.
Como reage ao stress.
Como se sente.
Como vive.
Como atravessa cada dia.
É por isso que, numa consulta, não me interessa apenas saber qual é o sintoma.
Quero conhecer a pessoa que está por trás dele.
Há mais de 20 anos que é assim que trabalho.
Não para substituir o diagnóstico ou o tratamento médico quando são necessários.
Mas para olhar para aquilo que, muitas vezes, fica entre o "não tem nada de grave" e o "não me sinto bem".
Porque esse espaço também merece ser escutado e valorizado.
E talvez a primeira coisa que precisamos de fazer não seja procurar um nome para aquilo que sentimos.
Talvez seja simplesmente não deixar de ouvir o que o nosso corpo nos está a dizer.
A Homeopatia pode ajudar a viver com mais qualidade.
