terça-feira, 1 de setembro de 2026

Não estou doente. Mas não me sinto bem.

Há pessoas que me dizem isto no consultório.

Os exames estão normais.

Não há nenhuma doença importante.

O médico diz que não há motivo para preocupação.

E, no entanto, quando lhes pergunto como se sentem, a resposta é outra:

"Não me sinto bem."

Dormem, mas acordam cansadas.

Têm dores que aparecem e desaparecem.

A digestão já não é a mesma.

Dormem pior.

Sentem-se mais ansiosas, irritáveis ou sem energia.

E, aos poucos, começam a habituar-se.

"É da idade."

"É do stress."

"Tenho de aprender a viver com isto."

Talvez.

Mas talvez valha a pena fazer outra pergunta:

E se o facto de não existir uma doença não significar que está tudo bem?

Um corpo não precisa de estar doente para nos dizer que alguma coisa mudou.

E uma pessoa não é apenas o resultado dos seus exames.

É a forma como dorme.

Como come.

Como reage ao stress.

Como se sente.

Como vive.

Como atravessa cada dia.

É por isso que, numa consulta, não me interessa apenas saber qual é o sintoma.

Quero conhecer a pessoa que está por trás dele.

Há mais de 20 anos que é assim que trabalho.

Não para substituir o diagnóstico ou o tratamento médico quando são necessários.

Mas para olhar para aquilo que, muitas vezes, fica entre o "não tem nada de grave" e o "não me sinto bem".

Porque esse espaço também merece ser escutado e valorizado.

E talvez a primeira coisa que precisamos de fazer não seja procurar um nome para aquilo que sentimos.

Talvez seja simplesmente não deixar de ouvir o que o nosso corpo nos está a dizer.

A Homeopatia pode ajudar a viver com mais qualidade.