Há críticas que se leem e esquecem. Outras ficam connosco muito depois de fecharmos o computador.
Ao longo de mais de vinte anos, a Homeopatia tornou-se muito mais do que a minha profissão. É uma parte importante de quem sou, da forma como vejo as pessoas e da maneira como escolhi estar no mundo.
Não cheguei aqui por acaso. Dediquei anos a estudar, a aprender, a procurar compreender melhor cada pessoa que se senta à minha frente. Escutei histórias, acompanhei sofrimentos, partilhei preocupações e alegrias. Tentei estar presente, mesmo quando não tinha todas as respostas. Porque cuidar também é reconhecer os nossos limites.
Nunca quis fazer da Homeopatia uma guerra contra a Medicina convencional. Nunca senti necessidade de desvalorizar outras formas de cuidar para defender aquela em que acredito. Pelo contrário, sempre procurei construir pontes, convencido de que o respeito, a honestidade e a responsabilidade devem estar acima das trincheiras em que tantas vezes nos colocamos.
Por isso, custa-me ler ataques que parecem reduzir toda uma realidade a uma caricatura. Não porque me considere acima da crítica. Acredito na importância de questionar, investigar e discutir. Mas porque, por detrás da palavra "homeopata", existe também uma pessoa. Alguém que estuda, que se interroga, que sente, que se preocupa e que procura fazer o seu melhor.
E essa pessoa sou eu.
Talvez quem olha de fora não consiga perceber o que significa receber uma mensagem de alguém que nos diz que se sentiu escutado, compreendido ou ajudado. Não são troféus, nem provas que resolvam uma discussão científica. São momentos humanos que dão sentido a tantos anos de dedicação e que guardo com profunda gratidão.
Sei que a experiência de cada pessoa não substitui a evidência científica. Sei que a honestidade também exige reconhecer aquilo que ainda não está demonstrado. Não tenho medo de fazer perguntas, nem quero deixar de aprender. Mas gostaria que também houvesse espaço para falar destas questões sem apagar a humanidade de quem está do outro lado.
Confesso que, por vezes, tudo isto me magoa mais do que gostaria. Talvez porque não esteja em causa apenas aquilo que faço para viver. Está em causa algo a que entreguei uma parte muito significativa da minha vida, algo em que investi tempo, estudo, esperança e uma enorme parte de mim.
Não escrevo estas palavras para convencer quem pensa de maneira diferente. Nem para pedir que concordem comigo. Escrevo porque, por detrás do profissional, existe um homem que sente. Um homem que continua a acreditar no valor de escutar, de acolher e de tratar cada pessoa com respeito.
Não sei se algum dia conseguirei aproximar todos os lados. Sei apenas que não quero contribuir para o afastamento. Não quero responder à dureza com dureza, nem transformar as minhas convicções numa razão para desrespeitar as dos outros.
Quero continuar a fazer pontes, mesmo nos dias em que sinto que estou sozinho no meio delas.
Porque, apesar de tudo o que me magoa, continuo a acreditar que podemos discordar sem desumanizar, questionar sem humilhar e defender aquilo em que acreditamos sem retirar dignidade a quem acredita de outra forma.
E talvez seja precisamente isso que mais desejo preservar: não apenas a profissão que escolhi, mas a pessoa que procurei ser ao longo de todos estes anos.



