Por isso, mesmo num mundo dominado por redes sociais, escolho continuar a escrever num blog.
E algumas coisas — tal como o pensamento sério, a escuta e o cuidado — não precisam de moda para fazer sentido.
Homeopatia Infantil e Saúde de Adultos
Por isso, mesmo num mundo dominado por redes sociais, escolho continuar a escrever num blog.
E algumas coisas — tal como o pensamento sério, a escuta e o cuidado — não precisam de moda para fazer sentido.
A Homeopatia é, muitas vezes, falada em extremos.
Para uns, é vista como uma solução para tudo.
Para outros, é descartada sem sequer ser compreendida.
Nenhum destes olhares faz justiça ao que a Homeopatia realmente é.
O que é a Homeopatia
A Homeopatia é uma abordagem terapêutica que procura estimular a capacidade de auto-regulação do organismo.
Parte de um princípio simples e antigo: o princípio da semelhança — uma substância que pode provocar determinados sintomas numa pessoa saudável pode, em doses dinamizadas, ajudar o organismo a reequilibrar esses mesmos sintomas quando eles surgem na doença.
Os medicamentos homeopáticos são preparados a partir de substâncias de origem vegetal, mineral ou animal, submetidas a processos específicos de diluição e dinamização.
Os grânulos homeopáticos, tão familiares a muitos, não têm toxicidade, não sobrecarregam o fígado nem os rins e podem ser usados com segurança em bebés, crianças, adultos e idosos — sempre com acompanhamento profissional.
Mas talvez o aspeto mais distintivo da Homeopatia não esteja no medicamento, mas no olhar clínico.
Na Homeopatia, não se trata apenas a patologia, trata-se a pessoa.
Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem precisar de abordagens completamente diferentes, porque reagem, sentem e vivem a doença de forma única.
O que a Homeopatia não é
A Homeopatia não é magia, nem uma promessa de cura para tudo.
Não substitui cirurgias, não ignora exames, não desvaloriza sinais de alarme.
Não é uma alternativa irresponsável à medicina convencional.
Na minha prática clínica, a Homeopatia é usada com critério, consciência e responsabilidade.
Conheço bem os seus limites — e quando esses limites são ultrapassados, encaminho sempre para a abordagem convencional, porque a saúde e a segurança de quem me procura estão acima de qualquer método terapêutico.
A Homeopatia não exclui.
Acrescenta. Complementa. Acompanha.
Seriedade acima de tudo
Trabalhar com Homeopatia exige escuta atenta, estudo contínuo e profundo respeito pela pessoa que está à nossa frente.
Não se trata de prometer milagres, mas de cuidar com rigor, humanidade e bom senso.
A Homeopatia pode ser uma excelente aliada na prevenção, no equilíbrio emocional, no fortalecimento do sistema imunitário e no acompanhamento de muitas condições agudas — sobretudo quando o objetivo é tratar o terreno, e não apenas silenciar sintomas.
O seu uso correto, pode ajudar a diminuir muito a utilização de medicação convencional.
Mais do que discutir crenças, importa compreender com clareza o que a Homeopatia pode — e não pode — oferecer.
Quando praticada com seriedade, conhecimento e integração com a medicina convencional, pode ser uma aliada valiosa no cuidado da saúde, na prevenção e no acompanhamento responsável de muitas pessoas e famílias.
Se sentes curiosidade em perceber se a Homeopatia pode fazer sentido no teu caso, o primeiro passo é uma consulta, onde a história individual, o contexto e as necessidades de cada pessoa são avaliados com tempo e atenção.
O caminho começa sempre pelo esclarecimento e pela escolha informada.
Começa Janeiro e o cenário repete-se como um déjà vu para muitos pais:
frio à porta, nariz a pingar, tosse que acorda a casa às 3h da manhã.
Antibiótico, depois xarope, depois outro antibiótico porque “voltou tudo outra vez”.
E o quarto cheira a mentol, o cesto dos papéis cheio de lenços, e aquela sensação de cansaço instala-se:
“Será que tem de ser sempre assim?”
Nem sempre.
Nem para sempre.
Tenho visto bebés que chegam ao consultório em situação limite: otites sucessivas, bronquiolites, febres que aparecem como convidados surpresa.
E vejo também pais — com olheiras, mas com esperança — a perguntar:
“Podemos fazer algo para prevenir?”
Sim.
Podemos construir saúde.
Com tempo, com paciência, com cuidado.
Não com urgências — com consistência.
A Homeopatia não vem prometer que o Inverno será cor-de-rosa, que as crianças nunca mais ficarão doentes.
Doença faz parte da infância, mas não desta forma recorrente.
O que a Homeopatia pode fazer é fortalecer o caminho, ajudar o organismo a responder melhor, a recuperar com mais equilíbrio, a não adoecer de duas em duas semanas.
Tenho visto isso acontecer. Muitas vezes.
E cada mãe que volta e diz “este ano foi tão diferente” vale mais do que qualquer estatística.
E não são só as crianças.
Quantos adultos chegam exaustos, a imunidade frágil, com saúde debilitada?
O corpo grita, mas a rotina cala.
Sono curto, stress constante, refeições rápidas, emoções guardadas num canto.
A saúde não se perde de repente — vai-se desfazendo nos detalhes.
E é aí que também entramos: na prevenção, na alimentação que nutre, no estilo de vida que sustenta, na escuta do corpo que pede pausa.
A Homeopatia, para mim, é isto:
um convite para cuidar antes de remediar.
Para olhar para a saúde como algo que se constrói todos os dias —
como um jardim que precisa de água, luz, paciência.
Se este ano queres menos correria às urgências, menos noites em claro por febres repentinas, menos “voltou tudo outra vez”…
pode ser o momento de experimentar um caminho diferente.
Com acompanhamento.
Com respeito pela medicina convencional — porque não substituímos, somamos.
2026 pode ser o ano em que decides cuidar com intenção.
Por ti.
Pelos teus filhos.
Pela vida que quer fluir com mais leveza.
Quando sentires que é a hora, estou deste lado.
Para caminhar contigo — passo a passo, estação por estação.
Agradecer a cada pessoa que, ao longo deste ano, entrou no meu consultório e partilhou comigo aquilo que raramente se diz em voz alta: fragilidades, inquietações, esperanças, recomeços.
Agradecer a cada paciente que confiou no meu olhar, no meu tempo, no caminho subtil e profundo da Homeopatia.
E, de forma muito especial, agradecer a tantos pais que me confiaram aquilo que têm de mais precioso: os seus filhos.
Nunca tomo essa confiança como garantida.
Nunca a vejo como uma rotina.
É sempre um gesto de amor, de coragem e de entrega.
E é um privilégio enorme acompanhar tantas famílias, tantas histórias que se cruzam com a minha ao longo do caminho.
Neste trabalho, descubro todos os dias que a Homeopatia não é apenas um método — é um encontro.
Um espaço onde cada pessoa é vista na sua individualidade, no seu ritmo, na sua história.
E são vocês, com a vossa presença e verdade, que dão sentido a tudo o que faço.
Obrigado por cada palavra, cada partilha, cada confiança silenciosa.
Obrigado por permitirem que a minha vocação seja também um lugar de humanidade.
Que este Natal vos traga serenidade, união e aquele tipo de paz que se sente primeiro no peito.
Que 2026 vos encontre com coragem, esperança renovada e muitos momentos bons — daqueles que aquecem o coração.
Da minha parte, sigo com o mesmo compromisso de sempre: continuar a caminhar convosco, com respeito, escuta profunda e uma gratidão que cresce a cada encontro.
Um abraço sentido,
e votos de um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde.
Vivemos numa sociedade que, muitas vezes, só procura ajuda quando algo já falhou.
É assim que funciona a medicina da doença: entra em ação quando o problema já apareceu. E ainda bem que existe — é essencial, insubstituível e salva vidas todos os dias.
Mas há outra forma de cuidar.
A medicina da saúde.
É aquela que não espera pelo colapso para agir.
Que não trata apenas crises, mas terrenos.
Que olha para a pessoa antes de olhar para o diagnóstico.
E é aqui que a Homeopatia tem um papel único.
A Homeopatia trabalha na compreensão profunda da pessoa — dos seus padrões, sensibilidades, formas de reagir ao stress, ao ambiente, às emoções.
É um acompanhamento que pode coexistir perfeitamente com a medicina convencional, ampliando o cuidado, não substituindo nada.
Enquanto a medicina convencional trata o que está a acontecer,
a Homeopatia ajuda a perceber porque acontece e o que no indivíduo precisa de atenção para que o equilíbrio se mantenha.
Não se trata de escolher um lado.
Trata-se de perceber que saúde verdadeira não é uma batalha entre métodos, mas uma soma.
Medicina convencional para o que surge de forma aguda, cirurgia, diagnósticos diferenciados.
Homeopatia para fortalecer, prevenir, equilibrar e acompanhar.
Tudo em conjunto, tudo a favor da mesma pessoa: tu.
No fundo, apostar na medicina da saúde é isto:
não esperar pela doença para começar a cuidar.
É investir no terreno, na energia, na forma única como cada um de nós vive o corpo e a vida.
A saúde não começa quando adoecemos.
Começa muito antes.
E a Homeopatia está exatamente aí - no lugar onde a prevenção se encontra com a consciência de quem decide cuidar de si antes de ser tarde.
Vivemos numa era em que a informação sobre saúde deixou de ser exclusivamente transmitida por profissionais para se transformar num território aberto, onde qualquer pessoa pode assumir o papel de especialista.
E, no meio desse ruído, surgem certezas incalculáveis, bradadas com convicção quase religiosa.
Afinal, o que significa “ser saudável” hoje?
Se percorrermos as redes sociais, encontramos uma multiplicidade de caminhos — cada um apresentado como o único verdadeiro:
O paradoxo das certezas
Mas será que existe realmente um único caminho?
A ciência, a experiência clínica e a observação humana mostram repetidamente que não.
A saúde não é um conceito estático
A verdadeira compreensão da saúde não cabe numa fórmula única.
Ela depende de:
A saúde é um fenómeno dinâmico, complexo e profundamente individual.
O perigo das modas e das soluções absolutas
Além disso, a promessa de “cura total” tende a ignorar o facto de que a saúde é influenciada tanto por fatores físicos como emocionais e ambientais.
Quando uma abordagem é vendida como “infalível”, o que vemos não é ciência — é marketing.
O princípio que raramente se discute: a individualidade
Dentro da Homeopatia — bem como noutras abordagens integrativas — existe uma noção antiga, mas profundamente atual:
Cada pessoa é um universo, e cada universo precisa de um caminho próprio.
A verdadeira saúde nasce de autoconhecimento, observação, escuta e adaptação.
Entre a rigidez das modas e a fluidez da vida