Esta semana soube-se que a plataforma SAPO vai encerrar os seus blogs.
Para muitos, será apenas mais uma notícia técnica. Para outros, é o fim de uma era.
Os blogs foram, na minha opinião, a idade de ouro da internet.
Um tempo em que se escrevia devagar, se lia com atenção e se construíam ideias sem pressa. Um tempo em que as pessoas não competiam por segundos de atenção, mas partilhavam pensamentos, experiência, dúvidas.
Aprendemos muito com os "bloggers".
Aprendemos a argumentar, a aprofundar, a discordar com respeito, a acompanhar raciocínios longos. Aprendemos que o conhecimento não precisa de ser reduzido a frases de impacto nem embalado para agradar a algoritmos.
Hoje, vivemos o oposto.
As redes sociais trouxeram alcance, mas também trouxeram ruído.
Imediatismo. Simplificação excessiva. Polarização.
Conteúdos moldados para gerar reação, não reflexão.
Ideias complexas comprimidas em slogans.
Pensamento substituído por opinião rápida.
Visibilidade trocada por profundidade.
Nos blogs, não havia feeds infinitos nem notificações constantes.
Havia textos.
Havia silêncio entre parágrafos.
Havia tempo para discordar — e para pensar melhor.
Por isso, mesmo num mundo dominado por redes sociais, escolho continuar a escrever num blog.
Aqui não há algoritmos a decidir quem lê.
Não há publicidade a interromper ideias.
Não há pressão para agradar.
Há apenas texto, intenção e tempo. Tudo o que representa a essência da Homeopatia.
Continuarei a publicar com regularidade, com cuidado e com profundidade.
Porque acredito que ainda há espaço para quem quer ler com calma, pensar com liberdade e escolher conteúdos que não vivem da urgência.
Talvez os blogs não sejam tendência.
Mas continuam a ser refugio para muitos.
E algumas coisas — tal como o pensamento sério, a escuta e o cuidado — não precisam de moda para fazer sentido.
